UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
"JÚLIO DE MESQUITA FILHO"

Faculdade de Ciências e Letras - Campus de Araraquara
  Agenda Pós-Graduação - Estudos Literários

Aluno(a) Luisa Fernandes Vital
Titulo Do simbólico da morte às metáforas da vida em Grande sertão: veredas
Orientador(a) Prof. Dr. Emerson Cerdas
Data 31/01/2024
Resumo RESUMO
Esta tese pretende verificar a morte, entendida como símbolo, nas reminiscências de Riobaldo, e a forma como ela é metaforizada pela personagem e narrador do romance Grande sertão: veredas, publicado em 1956, por João Guimarães Rosa. A morte, um evento que não se pode definir conceitualmente, a não ser pela observação da morte do outro, o que impede a criação de um campo semântico para descrever o fenômeno, tem funcionamento simbólico, sendo preenchida semanticamente pelas associações que a reminiscência de Riobaldo cria. Assim, por meio da narração, a morte é metaforizada pelo narrador. Para a constatação dessas metáforas, são analisadas três mortes específicas – a do líder dos jagunços, Joca Ramiro, a morte simbólica da personagem Riobaldo, que se transforma em Urutú-Branco, e aquela da personagem Diadorim, revelando sua verdadeira identidade. A partir desses três eventos marcados na memória de Riobaldo, é observada a construção discursiva da personagem para entender como a morte pode ser metaforizada na viagem, no ritual do pacto demoníaco e no esquecimento, respectivamente, tudo contribuindo para algo essencial: a compreensão da própria vida de Riobaldo. A pesquisa é norteada pela metodologia fenomenológica-hermenêutica proposta por Paul Ricoeur, que visa à compreensão do símbolo de acordo com sua natureza mutável. A bibliografia ainda pode ser dividida em quatro partes: 1) símbolos e sua interpretação; 2) morte; 3) memória, recordação, reminiscência e narrativa; e por fim, 4) fortuna crítica rosiana. Os estudos de Dan Sperber e Gilbert Durand explicam a natureza e o funcionamento do símbolo. Já no segundo grupo, os estudos históricos de Philippe Ariès e antropológicos de Edgar Morin auxiliam a aprofundar o conhecimento sobre a morte. Em seguida, o material fornecido por Aristóteles contribui para as reflexões acerca da memória e da narrativa. Por fim, textos da fortuna crítica rosiana, como os de Antonio Candido, Cavalcanti Proença, Benedito Nunes, Walnice Galvão, Sandra Vasconcellos e Luiz Roncari são importantes para a construção da interpretação das três mortes já especificadas, contribuindo na compreensão de como a ideia de finitude está intrincada na formação de Riobaldo e de que forma ela é metaforizada, ajudando a personagem a compreender a própria existência por meio da organização narrativa.
Palavras-chave: Morte; Símbolo; Metáfora; Fenomenologia-hermenêutica; Grande sertão: veredas.

RESUMÉ
Cette thèse entend souligner la mort, comprise comme symbole, dans les réminiscences de Riobaldo, et la façon dont elle est métaphorisée par le personnage et narrateur du roman Grande sertão : veredas, publié en 1956, par João Guimarães Rosa. La mort, un événement qui ne peut pas être défini conceptuellement, sauf en observant la mort de l'autre, ce qui empêche la création d'un champ sémantique pour décrire le phénomène, fonctionne comme un symbole, étant sémantiquement rempli par les associations que la mémoire de Riobaldo crée. Ainsi, à travers la narration, la mort est métaphorisée par le narrateur. Afin de vérifier ces métaphores, trois morts spécifiques sont analysées – celle du chef des jagunços, Joca Ramiro, la mort symbolique du personnage Riobaldo, qui devient Urutú-Branco, et celle du personnage Diadorim, révélant sa véritable identité. À partir de ces trois événements marqués dans la mémoire de Riobaldo, on observe la construction discursive du personnage pour comprendre comment la mort peut être métaphorisée respectivement dans le voyage, le rituel du pacte démoniaque et l'oubli, tous contribuant à quelque chose d'essentiel : l'instrumentalisation de le récit pour la compréhension de la propre vie de Riobaldo. La recherche est guidée par la méthodologie phénoménologique-herméneutique proposée par Paul Ricoeur, qui vise à comprendre le symbole selon sa nature changeante, La bibliographie peut encore être divisée en quatre parties : 1) les symboles et leur interprétation ; 2) la mort ; 3) la mémoire, le rappel, la réminiscence et la narration ; et enfin, 4) la fortune critique de Rosa. Les études de Dan Sperber et Gilbert Durand expliquent la nature et le fonctionnement du symbole. Dans le second groupe, les études historiques de Philippe Ariès et les études anthropologiques d'Edgar Morin contribuent à approfondir les connaissances sur la mort. Ensuite, les matériaux apportés par Aristote contribue aux réflexions sur la mémoire et le récit. Enfin, les textes de la fortune critique de Rosa, comme les oeuvres de Antonio Candido, Cavalcanti Proença, Benedito Nunes, Walnice Galvão, Sandra Vasconcellos e Luiz Roncari, sont importantes pour la construction de l'interprétation des trois morts déjà spécifiées, contribuant à comprendre comment l'idée de finitude fait partie dans la formation de Riobaldo et de quelle manière elle est métaphorisée, aidant le personnage à développer la conception de sa propre vie à partir du discours narratif.
Mots-clés : Mort ; Symbole; Métaphore; Phénoménologie-herméneutique; Grande sertão : veredas.
Tipo Defesa-Doutorado
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